domingo, 24 de outubro de 2010

Por momentos...

Por momentos, senti-me vir à tona, senti muito ao de leve que eu sou como Tu, como Ela, Elas, Todos, mais Alguém, quem sabe, sei eu que senti, que senti que era igual. Não é esta a minha vida, é aquela, aquela, "Amanhã vamos passear.", vamos, é assim o meu dia-a-dia, eu vejo-Te, vejo-A, vejo-As todos os dias. "Vamos ver aquela loja", disse Ela, e fomos, e olhámos, e vimos, vimos Todos. "Eu quero dar-lhe a mão", disseste, e demos as mãos, Todos, e fomos. Fomos Todos. Senti que era essa a minha vida. É assim que tem de ser. Sou como Elas. Sou como Tu. Sou como Todos.
Sim, vamos, amanhã, ou depois?, no fim-de-semana, encontramo-nos e vamos, Eu, Tu, Ela, Elas, Todos, Todos Nós, vamos. "Sou como Elas". Senti que era, que sou, que serei para todo o sempre. Um sentimento legítimo, forte, e não é para ser ignorado, porquê?, porque eu sou eu, porque sou mais nova mas que interessa isso?, eu senti, e o coração sentiu, e a pele, e o cabelo, e os olhos, e as mãos, e toda eu senti, então Sou.
Vamos. Ser. Ver. Fazer. Todos os dias. Quando nos apetecer. É bom. Porque não repetir?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A Espera


Acordei. Os raios solares polvilhavam o quarto com a luz matinal. Abri os olhos, esfreguei-os, e sentei-me na cama. Quando me levantei, alguém abriu a porta.
Ele sorriu-me.
"Que fazes aqui?", perguntei.
"Voltei."
"Esperei tanto tempo. O que aconteceu?"
"Eu explico-te. Mas primeiro, quero que saibas que te amo."
"Mentes. Nunca me disseste isso."
"Eu to digo agora."
"Abandonaste-me."
"Que querias que fizesse? Não tive escolha."
"Podias ter-mo dito antes."
Vieram-me lágrimas aos olhos. Ele aproximou-se e limpou-as.
"Tu já o sabias."
Abracei-o.
"Também te amo."
"Eu sei."

Mas acordei. Tinha sido apenas um sonho. Agarrei na fotografia dele e os os meus dedos crisparam-se na moldura.
Ele podia ter dito.
Mas eu sabia.

"Volta depressa."